Research through Design · Mobiliário

Mesa Cobogó

FUNÇÃO

Designer e pesquisador

ESPECIALIDADE

Design de mobiliário e de materiais

ANO

2026

Render da Mesa Cobogó: tampo cobogó de terrazzo sobre quatro pernas de concreto vermelho brilhante, em perspectiva e vista superior

Concreto brilhante sem polimento

A Mesa Cobogó traduz o cobogó (o elemento vazado criado em Pernambuco em 1929 e depois símbolo da arquitetura modernista brasileira) em uma mesa lateral: um tampo cobogó de terrazzo apoiado sobre quatro pernas lisas de concreto pigmentado. Ao testar pequenas amostras pigmentadas para a peça, notei algo inesperado. As amostras moldadas diretamente contra formas lisas de polímero, sem nenhum desmoldante, saíram com uma superfície espelhada. Essa observação transformou o projeto em uma investigação de Research through Design sobre a interface entre molde e material, e em uma forma de obter um acabamento brilhante no concreto sem polimento mecânico.

Desafios
  • Polir concreto exige lixamento sequencial de grão 50 até 3.000, além de ferramentas especializadas e horas de trabalho

  • Os vazados do cobogó multiplicam faces internas estreitas, lentas e arriscadas de lixar

  • Abrasivos agressivos removem material rápido, mas lascam as bordas das aberturas

  • Desmoldantes, padrão na prática de pré-moldados, deixaram fosco o acabamento refletivo que sai do molde

  • Uma receita que funciona em amostras pequenas não escala automaticamente para um molde em tamanho real

  • Misturas úmidas não mostram a cor final, então o pigmento precisa ser avaliado depois da cura

Objetivos principais
Objetivos principais
Objetivos principais

Traduzir o cobogó de elemento arquitetônico para objeto doméstico.

Alcançar um acabamento espelhado no concreto direto do molde, sem polimento.

Transformar surpresas do fazer em conhecimento de design documentado e transferível.

Influências

​1900​

o ano em que o cobogó foi criado em Pernambuco, imagens (a) e (b). Depois ele se tornou símbolo da arquitetura modernista, com raízes no muxarabi de influência árabe, e hoje é usado como símbolo de identidade cultural local na arquitetura contemporânea, imagens (c) e (d)

0​

moldagens de pernas, cada uma tratada como um protótipo diagnóstico que testou uma única pergunta sobre a interface entre molde e material.

Caixa d'Água de Olinda, um dos primeiros marcos da arquitetura com cobogó
Modelo no Blender da mesa lateral cobogó
Caixa d'Água de Olinda, um dos primeiros marcos da arquitetura com cobogó
Modelo no Blender da mesa lateral cobogó
Caixa d'Água de Olinda, um dos primeiros marcos da arquitetura com cobogó
Modelo no Blender da mesa lateral cobogó
3–0h

de lixamento pós-moldagem evitadas por perna, em comparação com o polimento convencional. O trabalho passou para a preparação do liner.

R$0​

em materiais por perna com o molde de MDF–PET, contra cerca de R$85–140 no método convencional de lixar e polir.

Visão geral do processo

O projeto seguiu uma abordagem de Research through Design em primeira pessoa, tratando a exploração de materiais, a fabricação e a reflexão sobre resultados inesperados como fontes de conhecimento de design. Cada fase moldou a seguinte, e cada formulação, condição de molde, falha e resultado foi documentado em fotos e anotações.

Experimentação com materiais

Exploração aberta com pequenas amostras moldadas, comparando composição da matriz, proporção de carga, teor de água e combinações de pigmentos. Foi aqui que o brilho inesperado apareceu pela primeira vez.

Comparações controladas

Isolei o desmoldante como variável: em um molde novo, uma amostra moldada com uma camada ultrafina de óleo mineral perdeu o brilho ao lado de outra moldada sem nenhum desmoldante.

Verificação em escala real

Moldei o tampo de terrazzo de 38 × 38 cm e cobogós intermediários de 19 × 19 cm para testar se as descobertas em pequena escala se mantinham com a geometria, a escala e o trabalho de moldagem reais.

Moldagem diagnóstica

Fabriquei as pernas de forma iterativa em um molde híbrido de MDF–PET, usando cada moldagem para responder a uma pergunta, e medi o brilho com um pipeline próprio baseado em câmera para escolher a mistura final.

O brilho nunca foi uma pergunta de pesquisa planejada. Ele surgiu durante um teste de cor e só virou uma descoberta depois que o testei contra explicações alternativas (pigmento, nata de cimento, confinamento) e deixei que ele redirecionasse o resto do projeto.

Amostra B7 cortada: pele brilhante formada no molde sobre um interior fosco

Um brilho inesperado

Ao comparar pigmentos em um molde brilhante de PET, duas amostras saíram muito mais refletivas que as demais, e eram as únicas cavidades que não tinham recebido desmoldante. Cortar a amostra B7 ao meio revelou uma pele externa refletiva sobre um interior fosco: o brilho não estava no material, ele se formava onde a mistura encontrava o molde.

Um molde híbrido de MDF–PET

Para levar o acabamento às pernas da mesa, dividi as funções do molde: uma estrutura desmontável de MDF dá rigidez, enquanto um liner fino de PET forma a superfície. Trocar painéis separados por um liner contínuo reduziu as emendas, e desparafusar o molde em vez de puxá-lo facilitou a desmoldagem, sem precisar de desmoldante.

Liner contínuo de PET encaixado dentro do molde de MDF da perna
Perna desmoldada mostrando um reflexo nítido, como um espelho

Espelhado, direto do molde

Nas primeiras pernas, a mistura que vazou por trás do liner saiu ainda mais brilhante, o que apontava para um contato contínuo entre a mistura e o PET. Uma mistura mais densa, amassada à mão (BlokGraute Pro+ com a/c 0,24), conseguiu esse contato em toda a superfície. A partir da quarta moldagem, todas as pernas saíram do molde com um acabamento uniforme e espelhado, e quatro delas formaram a mesa final.

Exploded view

Resultado

A mesa lateral finalizada combina quatro pernas brilhantes em rosa profundo com um tampo de terrazzo lixado, feito com sobras de quartzo reaproveitadas, deixando visíveis duas estratégias de acabamento opostas em um único objeto. As pernas mantêm a pele refletiva com que foram moldadas; o tampo remove essa pele para revelar o agregado. Um tampo de vidro mantém o cobogó vazado visível por baixo.

O molde como ferramenta de acabamento

Escolha o material em contato direto com a mistura pelo acabamento que ele transfere, e separe estrutura de superfície: o MDF barato segura a forma, enquanto um liner fino de PET entrega o brilho.

Redistribuindo o trabalho de acabamento

O molde de MDF–PET não elimina o trabalho de acabamento. Ele o antecipa, do lixamento do concreto curado para a preparação do liner, quando os erros ainda têm conserto.

Quantificação do brilho

Um pipeline de baixo custo em Python e OpenCV separa os reflexos especulares da cor base em fotos de celular, o que permite comparar relações água/cimento e superplastificantes antes de partir para uma moldagem em escala real.

Próximos passos

Os resultados apontam para ferramentas de fabricação que tratam a superfície do molde como uma variável de design de primeira ordem, e não como um limite inerte.

Previsão de acabamento no CAD

Ferramentas de geração de moldes poderiam indicar onde uma superfície de molde, um liner ou uma condição de desmoldagem tende a gerar um resultado brilhante, acetinado ou fosco antes de qualquer concretagem.

Compensação da espessura do liner

Ajustar a geometria da cavidade automaticamente assim que o material e a espessura do liner forem definidos, um cálculo hoje feito à mão.

Medição calibrada

Adicionar uma referência de cor calibrada e uma comparação com glossímetro para que as métricas da câmera possam ser expressas em unidades absolutas de brilho.

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